Relatos da Escolinha de Artes
Giovanni Ramos - contato@controversas.comPOR MAGALI MOSER*
Acompanhada da mãe, Poliana Gelak foi a primeira a chegar ao protesto organizado por pais, alunos e professores contra o fim da Escolinha de Artes Monteiro Lobato, dia 27 de maio, na prefeitura. A menina de oito anos estava matriculada no curso de balé clássico e insistiu para faltar à aula e poder participar da manifestação. Ela faz parte do grupo de 350 crianças prejudicadas com o fim da escolinha, vinculada à Fundação Cultural de Blumenau.
Desde o inÃcio do ano, elas aguardam pela retomada dos trabalhos. A prefeitura anunciou no inÃcio de maio que os alunos serão transferidos para a Fundação Pró FamÃlia. Mas a Associação de Pais e Professores (APP) da entidade protesta contra a medida, por entender que a escolinha perderá a identidade cultural.
“Não queremos perder o trabalho e o nome conquistado pela escolinha em 36 anos de atividades. Não teria condições de pagar um curso particular para ela” desabafa a mãe de Poliana, Maria de Fátima Gelak.
Com faixas e cartazes, os manifestantes reivindicaram mais atenção do poder público com a cultura da cidade. A transferência para a Fundação Pró FamÃlia representa o fim do trabalho artÃstico feito com as crianças.
“O problema não é a mudança de local. Não haveria problema, desde que não alterassem a proposta pedagógica e artÃstica desenvolvida”, explica a professora de Teatro da Escolinha de Artes, Diva Allende.
A diretora da Escolinha de Artes Monteiro Lobato, Margitte Beck Waiduschat, também participou do movimento. Em discurso no plenário da Câmara de Vereadores, ela argumentou que o trabalho da escolinha é voltado para a experimentação cultural e não para questões assistenciais, como a Pró FamÃlia. Segundo Margitte, a Escolinha de Artes não será transferida, apesar das atividades serem oferecidas na Pró-FamÃlia:
“Após 36 anos, a escolinha fechará suas portas e cairá no esquecimento. Desfazer-se da estrutura de um trabalho realizado há 36 anos em nossa cidade, e que tinha cerca de 350 crianças matriculadas, é realmente decretar nosso fechamento”.
* a autora é jornalista






Fui aluno da escolinha de artes e não acredito que a administação Marlene Schlindwein conseguiu avançar na destruição da cultura na cidade.