Blumenau vista por outro ângulo
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1 de junho de 2010

Relatos da Escolinha de Artes

Giovanni Ramos - contato@controversas.com

POR MAGALI MOSER*

Acompanhada da mãe, Poliana Gelak foi a primeira a chegar ao protesto organizado por pais, alunos e professores contra o fim da Escolinha de Artes Monteiro Lobato, dia 27 de maio, na prefeitura. A menina de oito anos estava matriculada no curso de balé clássico e insistiu para faltar à aula e poder participar da manifestação. Ela faz parte do grupo de 350 crianças prejudicadas com o fim da escolinha, vinculada à Fundação Cultural de Blumenau.

Desde o início do ano, elas aguardam pela retomada dos trabalhos. A prefeitura anunciou no início de maio que os alunos serão transferidos para a Fundação Pró Família. Mas a Associação de Pais e Professores (APP) da entidade protesta contra a medida, por entender que a escolinha perderá a identidade cultural.

“Não queremos perder o trabalho e o nome conquistado pela escolinha em 36 anos de atividades. Não teria condições de pagar um curso particular para ela” desabafa a mãe de Poliana, Maria de Fátima Gelak.

Com faixas e cartazes, os manifestantes reivindicaram mais atenção do poder público com a cultura da cidade. A transferência para a Fundação Pró Família representa o fim do trabalho artístico feito com as crianças.

“O problema não é a mudança de local. Não haveria problema, desde que não alterassem a proposta pedagógica e artística desenvolvida”, explica a professora de Teatro da Escolinha de Artes, Diva Allende.

A diretora da Escolinha de Artes Monteiro Lobato, Margitte Beck Waiduschat, também participou do movimento. Em discurso no plenário da Câmara de Vereadores, ela argumentou que o trabalho da escolinha é voltado para a experimentação cultural e não para questões assistenciais, como a Pró Família. Segundo Margitte, a Escolinha de Artes não será transferida, apesar das atividades serem oferecidas na Pró-Família:

“Após 36 anos, a escolinha fechará suas portas e cairá no esquecimento. Desfazer-se da estrutura de um trabalho realizado há 36 anos em nossa cidade, e que tinha cerca de 350 crianças matriculadas, é realmente decretar nosso fechamento”.

* a autora é jornalista



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