Na dúvida, duvide!
Paulo Roberto - paulo@controversas.com
Juro: fiquei na dúvida sobre a imagem pra ilustrar o texto!
Posts iniciais geralmente são chatos. Introdutórios, contextualizadores. Prometem mundos e fundos, parecem campanha eleitoral. Eu sou mais um que não gosta deles. Sobretudo porque depois de um bom post inicial, a responsabilidade aumenta, e a chance de acabar desgostando dos textos seguintes é enorme. De qualquer jeito, arriscarei.
Desde que me entendo por gente, minha mãe reclama que eu não a obedecia. Não por ser uma criança mimada, prepotente, ou mesmo que fizesse pura birra. Mas, eu não entendia como explicações as frases “porque sim”, “porque eu mandei” e outras tantas que todos nós (nascidos até meados da década de 1980) cansamos de ouvir quando pequenos. Eu sempre entendi isso como uma fuga do real motivo. Sempre duvidei. Sempre quis ouvir a versão final, aquela que explicasse.
Quis o mundo – na verdade, fui eu – que eu eu crescesse questionando o que havia ao meu redor. Descobri sozinho que o Papai Noel era uma mentira. Não chorei, fiquei PUTO com os meus pais por terem mentido pra mim. Tudo porque um dia, entre uma e outra brincadeira, sentei e pensei com meus botões que seria impossível ele visitar tanta gente numa noite só. Comentei inocentemente com a minha mãe, e ela confessou ser mentira. Levei alguns dias pra superar o trauma, provavelmente descobrindo outras mentiras (“inocentes”) que me cercavam.
Na faculdade de Jornalismo, alguns (bons) professores que ensinavam mais fora da sala de aula do que dentro me mostraram que não existem coincidências na nossa profissão. Um texto nunca tem X caracteres só porque acabou saindo desse jeito. Uma matéria nunca “esquece” de alguém, e sim OMITE. Um veículo de imprensa não “se confunde”, e sim confunde o seu público.
O que vemos hoje em nossa sociedade é uma alarmante crise de identidade. Vemos os veículos de comunicação pautando nossos cidadãos, e não o contrário. Discutir o BBB é mais importante do que gostar ou não dele (ops, adiantei o tema da minha próxima coluna!). Somos apedrejados se não soubermos quem é bandido e quem é mocinho. Ao menos 5x por semana, ouço alguém me falar que “Maria e João” fizeram tal coisa e, ao dizer que não os conheço, descubro-os personagens de novela!
Ao mesmo tempo, a perigosa sucessão de inversões entre ficção e realidade nos deixa perturbados. Mais gente chora as mortes nas novelas do que as chacinas em nossas cidades. Mais gente fica emocionada com a final do Ídolos do que com a carnificina que vemos no trânsito de todo o país, matando e mutilando milhares de inocentes (outros nem tanto) diariamente.
Este será um espaço diferente. Não concorrerá com outras colunas, nem outros colunistas. Porque não quero ser como, nem melhor que eles. Quero ser diferente. Sigo a proposta do Controversas, que nunca se pautou por se opor a outro meio de comunicação, e sim por ser um complemento de TODOS ELES.
Desde outubro de 2007, o Controversas traduzia as mesmas manchetes em outras palavras. Quando fui convidado pelo Giovanni Ramos para fazer parte da equipe, no ano passado, aceitei de pronto o desafio. Porque sabia que o papel deste veículo seria complementar, sugerir, palpitar, perguntar, inquietar. Cutucar, até ter uma versão melhor, uma versão que explique, que faça-se entender. Pra repetir os discursos das Assessorias, já temos os órgãos oficiais.
É importante cada um de nós, consumidores dos produtos de mídia, cumprir a nossa obrigação: QUESTIONAR. Não são as certezas que movem o mundo, e sim as dúvidas. Encerro utilizando-me do argumento de Bill Maher, no documentário Religulous: o mundo está cheio de locais/websites que oferecem as certezas, as verdades. Mas, se o que você quer é rever os seus conceitos e criar novas dúvidas, está no lugar certo: este é o novo Portal Controversas!





