Filho mata pai por engano
Tá lá no Santa de hoje, bonitinho e estampado: Filho mata pai por engano. Foi em Rodeio, mas poderia ter sido na sua casa. Se um homem tem uma arma de fogo em casa, sempre corre o risco de que ela seja disparada em algum momento. Você compra um carro para deixar na garagem? Não. [...]
Fábio Ricardo - fabio@controversas.comTá lá no Santa de hoje, bonitinho e estampado: Filho mata pai por engano. Foi em Rodeio, mas poderia ter sido na sua casa.
Se um homem tem uma arma de fogo em casa, sempre corre o risco de que ela seja disparada em algum momento. Você compra um carro para deixar na garagem? Não. Você compra um apartamento na praia para ficar fechado para a sempre? Também não. Então por que compraria qualquer outra coisa no intuito de que ela nunca fosse utilizada?
Se você possui uma arma, existe, nos meandros de sua mente, o intuito de utilizá-lo, mesmo que somente em casos emergenciais. E se você vai usar um revólver, alguém vai morrer. Isso, baseado na simplicidade lógica, liga os pontos de um passatempo de revistinha que te diz: se você tem um revólver, você tem propensão a ser um assassino.
Além disso, se você chegar, realmente, a puxar o gatilho na direção de alguém, você está cometendo um homicÃdio. Ou, ao menos, uma tentativa de homicÃdio. Seja para matar um ladrão de gado, ou para matar seu pai, o resultado é o mesmo.
Na historieta acima, publicada lá no Santa, o rapaz usou uma espingarda para ir atrás dos bandidos, enquanto seu pai de 75 anos dava a volta para cercá-los. Como num filme de comédia pastelão, os dois deram de cara um com o outro, e o filho pensou que o pai é que fosse o bandido. Bang! Um tiro de espingarda bem no meio do coração.
Não venha chorar esta morte, rapaz. Ao menos não para mim. Se você atirou mirando no coração, atirou para matar. E matou. Não interessa se foi seu pai ou um ladrão de gado, ele morreu só porque você quis matar.






Muito boa a lógica!
Primeiro lugar parabenizá-lo pela tentativa de conscientização da população, para não portar arma de fogo.
Porém, analisando o outro lado, será que somente a arma de fogo é capaz de matar alguém? Será que quando uma pessoa tem o dolo de matar a outra somente consegue tal objetivo com uma arma de fogo? Eu acho que não né…
Eu não sou nenhum pouco a favor de portar arma de fogo ou te-la em casa, mas não sou a favor também de gente que não sabe respeitar a dor da perda e principalmente falar sem o conhecimento especÃfico da lei. Pois bem, o princÃpio da presunção de inocência é estampado no art. 5º, inciso LVII da nossa Constituição Federal, sendo uma Garantia Constitucional, dispõe que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Partindo desse ponto, como será que um terceiro, que não sabe e com certeza não conhece a história da famÃlia e muito menos o rapaz pode afirmar em uma página de internet que “Não venha chorar esta morte, rapaz. Ao menos não para mim. Se você atirou mirando no coração, atirou para matar. E matou. Não interessa se foi seu pai ou um ladrão de gado, ele morreu só porque você quis matar”. Tá certo que todos nós temos a livre expressão de pensamento, porém, a sua liberdade vai até onde começa a alheia. A todo direito cabe uma obrigação e, é por isto que a nossa constituição proclama o respeito ao próximo, o que é de suma importância. Quantas vezes você pensou em quebrar a cara de uma pessoa que você não gosta, mas não o fez? Por que? Porque você tem a liberdade de pensar o que quiser, agora, fazer o que você pensa já é outra coisa, tem lá suas limitações. Entendeu?
Por isso, achei totalmente uma falta de consideração e respeito a quem sofre pela perda de um ente querido e uma fatalidade. Procure conhecer mais a história das pessoas envolvidas nesse tipo de fatalidade, antes de pensar em proferir esse tipo de opinião, condenando alguém que nem mesmo as autoridades que são competentes para tal, ainda fizeram.
Mais um vez parabenizo pela conscientização e de uma forma motivação ao desarmamento.
Porém, precipitada a parte final da sua opinião.
Eu sou vizinha e amiga de anos da famÃlia Franz, e todos nós estamos sofrendo com o que aconteceu, e sofremos muito mais ao nos deparar com esse tipo de “suposição”.
Fernanda,
O blog Controversas entende a situação delicada de todos que conheciam a famÃlia Franz. Trata-se de uma tragédia e o sofrimentos dos familiares é algo sem palavras. Porém, eu concordo com a afirmação do Fábio, de que um tiro é para matar.
Armas não foram feitas para afastar alguém, para machuca. Sua função é tirar a vida, mesmo! E por mais trágico que seja a história, o jornalismo deve levantar a questão do desarmamento. Um revólver em casa não protege sua famÃlia, pode ser bem o contrário.
Fernanda,
Para mim assassino é assassino. Não interessa se matou o próprio pai ou se matou o Hitler. É assassino da mesma forma.
Sinto muito pelo acontecimento na famÃlia. Mas sinto pelo acontecimento de alguém ter um dia a ideia imbecil de levar uma arma para dentro de casa. O resto é apenas consequencia daquele ato.
Tive um grande amigo morto aos 15 anos por um tiro no rosto.
Quem tem arma em casa, pede por isso. Se a famÃlia em questão não tivesse uma arma dentro de casa, isso nunca teria acontecido.
Não vou dizer que entendo a dor da famÃlia, pois é pretensão. Mas também não venha o rapaz me chorar esta morte. Falta de consideração? Perdão à Fernanda, mas fica mesmo na ponta da lÃngua a vontade de dizer: bem feito.
Quem atira, é pra matar. Ele estaria traumatizado, chorando e com pena se tivesse acertado um vizinho que vinha ver qual o motivo do barulho? Ou se fosse um desconhecido, perdido, pedindo informações? Ou se fosse realmente alguém roubando seu gado?
Mas, é mais fácil chorar pelo leite derramado…
Sim, eu concordo com a idéia de que ter arma em casa é um absurdo e é lógico que quem dá um tiro assume o risco de machucar e até mesmo matar alguém! Mas se for pensar por um outro lado, será que só a arma de fogo é capaz de matar? Quem tem vontade, o dolo de matar mata até com uma pedra, uma faca, então esses objetos também não poderão mais ser usados, não acha?
O que eu não concordo é o fato de acusar a pessoa sem saber o que realmente acontece. Todos se baseiam em boatos, notÃcias maldosas que saÃram sobre o caso, então quem está de fora é muito mais fácil julgar por não estar por dentro da situação.
Rodeio é uma cidadizinha do interior, onde vivem muitos agricultores e pessoas antigas que tem o hábito de ter esse tipo de arma em casa, até para abater os animais de ciração. São pessoas humildes, trabalhadores, honestas e que jamais nós aqui poderiamos imaginar que pudesse acontecer uma fatalidade dessas.
Vocês acham que um filho que trabalha junto ao pai na lavoura em pleno domingo até as 20:00hs da noite colhendo feijão para pagar um tratamento médico ao pai, teria a vontade de mata-lo depois? Não faz sentido, e é quanto a afirmação de que ele teve a vontade de matar que sou contra. O tiro partiu de 10mts de distância, não se sabe nem como pode ser tão certeiro pois aqui não tem iluminação pública e a noite não se vê praticamente nada. Ironia do destino essa.
Na verdade, eu tenho muita pena do Evaldo pois a cena dele deitado sob o corpo do pai morto é uma que jamais se apagará da memória.
Que têm a ver arma para abater animais com pessoas humildes com trabalhar na lavoura para pagar tratamento médico com um gatilho que é disparado e, ops, acho que acertei alguém e, ops de novo, era justamente meu pai. Um filho debruçado sobre um pai morto, ensanguetado, é realmente triste, e será tão desumano quanto disparar uma arma dizer isto: mas, definitivamente, não nestas condições.
Cara Natália, entendo seu comentário por não saber de fato o que acontece e aconteceu. Acusar, julgar é muito mais fácil, e se fosse na tua famÃlia? Terias a mesma reação será?
Desse jeito o Luis Nassif vai puxar a orelha deles.
Ah, vai
A Fernanda, embora defenda o ponto de vista da presunção de inôcencia, acabou por tocar num ponto relevante: o tiro partiu de 10m de distância num local mal iluminado. Quem atira no breu com essas condições, mesmo não querendo matar, no minimo assumiu o risco da própria conduta. É a mesma lógica do homicÃdio doloso no trânsito quando o motorista está bêbado. Não teve vontade de matar? Não. Mas assumiu o risco da conduta? Sim. Tanto é que o Sr. Evaldo, embora preso em flagrante, foi mantido preso preventivamente até a decisão do Habeas Corpus proferida pelo Tribunal de Justiça. O que significa que a opinião do Fábio (excluÃdos os excessos da linguagem) também foi (pelo menos naquele momento) a das autoridades competentes.
Mesmo depois de tanto tempo, não mudo minha opinião. Portadores de armas estão sempre preparados para atirar. E se você atirar sem nem saber para onde, tem muita chance de matar alguém. Sinto lhe informar, mas pra mim ele continua sendo um assassino.
Se o tiro tivesse atingido o joelho, poderia dizer que era para acertar o chão, que era só pra assustar, só para machucar, qualquer desculpa que você quisesse inventar para inocentá-lo. Mas o tiro pegou no coração. Qualquer lugar que a bala pegasse, entre estômago e cabeça, era uma tentiva clara de assassinato.
Mais uma vez me desculpe pela frieza: mas foi um assassinato sem desculpas.
E não adianta dizer que é facil dizer isso estando de fora, porque não é assim. Como mencionei, um grande amigo meu morreu aos 15 anos de idade com um tiro disparado a queima-roupa por um amiguinho seu. Ele achou a arma e brincou com ela, pensando estar sem munição.
É um assassino. Matou seu melhor amigo a queima-roupa.
Não há desculpas para isto também.