Blumenau por outro ângulo
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3 de novembro de 2009

Filho mata pai por engano

Tá lá no Santa de hoje, bonitinho e estampado: Filho mata pai por engano. Foi em Rodeio, mas poderia ter sido na sua casa. Se um homem tem uma arma de fogo em casa, sempre corre o risco de que ela seja disparada em algum momento. Você compra um carro para deixar na garagem? Não. [...]

Fábio Ricardo - fabio@controversas.com

Tá lá no Santa de hoje, bonitinho e estampado: Filho mata pai por engano. Foi em Rodeio, mas poderia ter sido na sua casa.

Se um homem tem uma arma de fogo em casa, sempre corre o risco de que ela seja disparada em algum momento. Você compra um carro para deixar na garagem? Não. Você compra um apartamento na praia para ficar fechado para a sempre? Também não. Então por que compraria qualquer outra coisa no intuito de que ela nunca fosse utilizada?

Se você possui uma arma, existe, nos meandros de sua mente, o intuito de utilizá-lo, mesmo que somente em casos emergenciais. E se você vai usar um revólver, alguém vai morrer. Isso, baseado na simplicidade lógica, liga os pontos de um passatempo de revistinha que te diz: se você tem um revólver, você tem propensão a ser um assassino.

Além disso, se você chegar, realmente, a puxar o gatilho na direção de alguém, você está cometendo um homicídio. Ou, ao menos, uma tentativa de homicídio. Seja para matar um ladrão de gado, ou para matar seu pai, o resultado é o mesmo.

Na historieta acima, publicada lá no Santa, o rapaz usou uma espingarda para ir atrás dos bandidos, enquanto seu pai de 75 anos dava a volta para cercá-los. Como num filme de comédia pastelão, os dois deram de cara um com o outro, e o filho pensou que o pai é que fosse o bandido. Bang! Um tiro de espingarda bem no meio do coração.

Não venha chorar esta morte, rapaz. Ao menos não para mim. Se você atirou mirando no coração, atirou para matar. E matou. Não interessa se foi seu pai ou um ladrão de gado, ele morreu só porque você quis matar.



12 comentários para “Filho mata pai por engano”


  1. Fernanda diz:

    Primeiro lugar parabenizá-lo pela tentativa de conscientização da população, para não portar arma de fogo.
    Porém, analisando o outro lado, será que somente a arma de fogo é capaz de matar alguém? Será que quando uma pessoa tem o dolo de matar a outra somente consegue tal objetivo com uma arma de fogo? Eu acho que não né…

    Eu não sou nenhum pouco a favor de portar arma de fogo ou te-la em casa, mas não sou a favor também de gente que não sabe respeitar a dor da perda e principalmente falar sem o conhecimento específico da lei. Pois bem, o princípio da presunção de inocência é estampado no art. 5º, inciso LVII da nossa Constituição Federal, sendo uma Garantia Constitucional, dispõe que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Partindo desse ponto, como será que um terceiro, que não sabe e com certeza não conhece a história da família e muito menos o rapaz pode afirmar em uma página de internet que “Não venha chorar esta morte, rapaz. Ao menos não para mim. Se você atirou mirando no coração, atirou para matar. E matou. Não interessa se foi seu pai ou um ladrão de gado, ele morreu só porque você quis matar”. Tá certo que todos nós temos a livre expressão de pensamento, porém, a sua liberdade vai até onde começa a alheia. A todo direito cabe uma obrigação e, é por isto que a nossa constituição proclama o respeito ao próximo, o que é de suma importância. Quantas vezes você pensou em quebrar a cara de uma pessoa que você não gosta, mas não o fez? Por que? Porque você tem a liberdade de pensar o que quiser, agora, fazer o que você pensa já é outra coisa, tem lá suas limitações. Entendeu?
    Por isso, achei totalmente uma falta de consideração e respeito a quem sofre pela perda de um ente querido e uma fatalidade. Procure conhecer mais a história das pessoas envolvidas nesse tipo de fatalidade, antes de pensar em proferir esse tipo de opinião, condenando alguém que nem mesmo as autoridades que são competentes para tal, ainda fizeram.

    Mais um vez parabenizo pela conscientização e de uma forma motivação ao desarmamento.
    Porém, precipitada a parte final da sua opinião.

    Eu sou vizinha e amiga de anos da família Franz, e todos nós estamos sofrendo com o que aconteceu, e sofremos muito mais ao nos deparar com esse tipo de “suposição”.

  2. Fernanda diz:

    Sim, eu concordo com a idéia de que ter arma em casa é um absurdo e é lógico que quem dá um tiro assume o risco de machucar e até mesmo matar alguém! Mas se for pensar por um outro lado, será que só a arma de fogo é capaz de matar? Quem tem vontade, o dolo de matar mata até com uma pedra, uma faca, então esses objetos também não poderão mais ser usados, não acha?
    O que eu não concordo é o fato de acusar a pessoa sem saber o que realmente acontece. Todos se baseiam em boatos, notícias maldosas que saíram sobre o caso, então quem está de fora é muito mais fácil julgar por não estar por dentro da situação.
    Rodeio é uma cidadizinha do interior, onde vivem muitos agricultores e pessoas antigas que tem o hábito de ter esse tipo de arma em casa, até para abater os animais de ciração. São pessoas humildes, trabalhadores, honestas e que jamais nós aqui poderiamos imaginar que pudesse acontecer uma fatalidade dessas.
    Vocês acham que um filho que trabalha junto ao pai na lavoura em pleno domingo até as 20:00hs da noite colhendo feijão para pagar um tratamento médico ao pai, teria a vontade de mata-lo depois? Não faz sentido, e é quanto a afirmação de que ele teve a vontade de matar que sou contra. O tiro partiu de 10mts de distância, não se sabe nem como pode ser tão certeiro pois aqui não tem iluminação pública e a noite não se vê praticamente nada. Ironia do destino essa.
    Na verdade, eu tenho muita pena do Evaldo pois a cena dele deitado sob o corpo do pai morto é uma que jamais se apagará da memória.



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