Babaca ou assassino?
Fábio Ricardo - fabio@controversas.comLi atento o artigo de hoje, publicado no Santa, escrito pelo presidente do Movimento Viva Brasil. Ok, pausa para segurar o riso. Sim, o nome do movimento A FAVOR de armar a população até os dentes é Viva Brasil. Mas continuemos, não estou aqui para julgar o nome do movimento e nem mesmo julgar a opinião das pessoas que se armam, mesmo tendo sã consciência de que um tiro mata uma pessoa.
O que mais me chamou a atenção nesse caso foi a utilização de um recurso intelectualóide que funciona muito para quem não sabe contestar ideias de forma civilizada. A humilhação do outro lado, para vencer a discussão não pelo raciocínio lógico de suas ideias, mas sim pela humilhação do opositor, classificando-o como um iletrado. O presidente do movimento caçoou de Clóvis Horst Lindner por este ter usado a palavra BABACA no seu texto.
Deixou a entender que Clóvis não sabia o significado de BABACA, que ele diz etimologicamente significar “órgão genital feminino”, nas palavras do ofensor. Usar-se de etimologia para dizer que alguém não sabe do que está falando é tão triste quanto uma briga num colégio infantil. Creio que o armamentista tenha se referido a isto em forma de brincadeira, apenas para humilhar mesmo, e não por falta de conhecimento. Pois acredito eu que todos saibam que BABACA não é simplesmente vagina. BABACA também pode ser um xingamento a qualquer pessoa. Ou teria o atirador passado os últimos 40 anos de sua vida trancado dentro de casa sem contato com o mundo exterior?
As palavras, meu caro, têm muito mais significado do que aquele etimológico. Burro não é quem não sabe a etimologia, talvez possa ser aquele que não consegue perceber qual o significado que se desejou para a palavra naquele instante em específico. Ou melhor, aquele que não compreende que este é um artifício que pode ser utilizado.
Mas neste ponto do texto, você leitor, já deve ter percebido que não estou falando sobre desarmamento ou sequer contrapondo as ideias armamentistas. Estou apenas versando gratuitamente sobre algo que não concordei na forma de humilhar um dos debatedores. E também já deve ter percebido que “intelectualóide” é um neologismo, não se encontra nos dicionários. Tudo bem, é que gosto de debater de igual para igual, então abri certas brechas para que ele pudesse também dizer que eu sou – por que não? – um babaca.
Ah, e ele cita este articulista que aqui escreve em um momento de seu texto:
“Fomos injustamente atacados com o argumento simplista de que quem possui uma arma deseja usá-la. Se isso fosse verdade, significaria que aquele que usa cinto de segurança quer sofrer um acidente, quem possui remédios em casa deseja ficar doente ou aquele que faz seguro contra incêndio deseja que sua casa pegue fogo.”
Este pensamento, que escrevi nos comentários do blog de Fabrício Cardoso e foi parar nas páginas do Santa, é fruto de uma sequência lógica de pensamento, que o nobre senhor tentou copiar. Quero apenas fazer leves correções no seu pensamento (i)lógico.
Se eu uso cinto de segurança, não significa que quero sofrer um acidente. Isso é um erro de lógica dos mais simplistas. Se uso cinto de segurança, isso quer dizer que quero que meu corpo seja segurado em caso de acidente. Se tenho seguro contra incêncio significa que desejo que minha casa seja ressarcida em caso de incêndio. Se tenho remédios em casa, significa que quero ficar curado caso pegue alguma doença. Da mesma forma, se tenho uma arma em casa, significa que quero atirar com ela caso algum ladrão tente se meter a besta comigo. Se quero atirar com um artefato mortal, quero matar. Se quero matar, sou um assassino. Esse é um raciocínio lógico.
Mas não vou chamar esta pessoa em específico de assassino, não. Afinal de contas, sou um iletrado que não sabe quais as raízes etimológicas da palavra assassino, e tenho medo de acabar falando besteira e ser humilhado publicamente nas páginas do Santa.






Bem, realmente não valeria a pena entrar em um batebocas vulgar.
Cães de guarda, para estes valentes defensores de seus lares [com muito mais que unhas e dentes], servem melhor: não matam [tão facilmente] e ainda são uma ótima companhia [mesmo nível intelectual]
Prezados Senhores
Concordo plenamente com o Movimento Viva Brasil, aliás agradeço por este blog ter levantado essa questão.
Inclusive o que foi publicado no Santa, não foi a versão integral do texto. Que segue abaixo e está disponível no site do MVB.
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A celeuma causada pela questão de ter ou não armas que vem ocorrendo nas páginas deste conceituado jornal não é nenhuma novidade. Tenho acompanhado com muito interesse os argumentos de uns e outros e agora, após o artigo intitulado “Ser da paz é babaca” do pastor luterano Clovis Horst Lindner vejo a necessidade de me manifestar.
Inicialmente gostaria de alertar ao pastor que o uso de certas gírias ou adjetivos merece atenção redobrada na etimologia de nossa língua pátria. A palavra “babaca”, que reproduzo aqui muito a contra gosto, embora seja atualmente usado como sinônimo de tolo tem seu significado inicial como sendo o órgão genital feminino. Com um termo tão chulo intitulando o artigo e sendo utilizada por um religioso fica, logo de início, difícil dar muito crédito para a opinião do mesmo.
Ao contrário do que afirma o pastor, não houve qualquer mobilização ou união de forças em defesa do colunista Cezar Zillig que apóia o direito de defesa do cidadão. Não houve simplesmente por que eu queria que apenas as opiniões dos leitores chegassem ao jornal em um primeiro momento. Assim, afirmo que as cartas de apoio ao colunista são fruto da participação espontânea da sociedade catarinense. Desta feita será diferente, faremos ampla divulgação para que todos possam comentar e participar.
Aparentemente o pastor e outros colunistas deste jornal fizeram questão de esquecer o referendo de 2005 onde nada menos que 76,64% votaram a favor do direito de possuir armas, ou seja, em tese de cada 10 leitores, 8 são contrários ao desarmamento.
Toda discussão, desde que não descambe para ataques pessoais e envolva pessoas que tenham o mínimo de conhecimento sobre o assunto é benéfica para sociedade. O que é inadmissível é a tentativa de ditatorialmente impor uma posição para a sociedade. É exatamente isso que fazem os anti-armas. Querem impor o desarmamento, impor a proibição e aqui reside a diferença entre nós e vocês. De forma nenhuma queremos impor a qualquer cidadão a obrigação de ter uma arma. Isso é escolha, é opção. É respeito ao direito individual.
Os comentários mais exacerbados ou agressivos daqueles que possuem uma arma, seja para defesa, esporte ou caça acontece exatamente por essa falta de respeito, por essa tentativa de arrancar-lhes a fórceps um direito não só legal, mas também natural. Gostaria de lembrar inclusive que nenhuma religião do mundo condena a legítima defesa mesmo que isso signifique a morte do agressor.
Fomos injustamente atacados com o argumento simplista e simplório de quem possui uma arma deseja usá-la. Oras, se isso fosse verdade significaria que aquele que usa cinto de segurança quer sofrer um acidente, quem possui remédios em casa deseja ficar doente ou aquele que faz seguro contra incêndio deseja que sua casa pegue fogo.
Se a tentativa de proibição baseia-se na premissa que qualquer um que tenha uma arma é um assassino pronto para matar a qualquer momento, por qualquer motivo é o mesmo que afirmar que qualquer homem deve ser encarado como um estuprador uma vez que possui instrumento para execução deste tipo de crime…
Podem publicar aqui qualquer outro argumento pelo desarmamento. Todos eles já foram sistematicamente desconstruídos durante o referendo de 2005 e a população brasileira decidiu e, querendo ou não, os derrotados no referendo precisam aprender a respeitar o que hoje é um direito de todo brasileiro.
Em tempo. A geração de Woodstock ao qual o senhor se refere é a mesma que pregava o “amor livre” onde “ninguém era de ninguém” e a larga utilização de drogas como maconha, haxixe e LSD? Os hippies pacifistas seriam os mesmos que seguiram Charles Maison em suas atrocidades? Realmente, os valores, mesmo de quem teria a obrigação de pregar os bons costumes, estão inacreditavelmente distorcidos.
Sobre filhos que vão armados para escolas, que na realidade são criminosos impunes, filhos que matam os pais, não fariam isso se nossas entidades religiosas se preocupassem mais com a formação moral do que com política ou temas que desconhecem, ou quem sabe, não fossem netos de Woodstock…
Vitor Hugo, ainda não faz sentido nenhum a lógica de que quem usa cinto quer bater o carro. Desconstrua isso.
E sobre o referendo já ter afirmado e, por isso, não há mais motivo para debater, só digo uma coisa:
Se eu não passar num vestibular, posso fazer de novo em outro ano?
Ou as opiniões que expressei através de respostas só poderão ser aquelas para o resto da vida?
Continuo falando: quem possui uma arma é um assassino em potencial.