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Bicicletas nos corredores de ônibus

Thiago Duwe preside a ABC Ciclovias

Blumenau deve vivenciar nos proximos dias, mais uma greve dos trabalhadores do transporte coletivo. Independente da opinião de cada blumenauense sobre a paralisação, o tema mobilidade urbana volta a pauta das mesas de bar, da sala de aula, do intervalo no horário de trabalho.

Abrindo o debate sobre alternativas na mobilidade urbana, o Portal Controversas entrevistou o recém empossado presidente da ABC Ciclovias, Thiago Duwe, para falar dos projetos da entidade que representa os ciclistas. A ABC acredita sim, que a bicicleta pode ser um meio de transporte em Blumenau. O que falta é um planejamento sério, que possa dar segurança aos ciclistas. Outra ideia é o uso dos corredores de ônibus para as “magrelas”. Veja entrevista abaixo:

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Portal Controversas – Quais os planos e projetos da atual administração da ABC para os próximos anos?

Thiago Duwe – Esta nova gestão tem como objetivo principal a profissionalização da ABC. Nós esperamos conseguir convênios com os governos estadual e federal para  desenvolver a motivação e a educação ao trânsito para o cidadão blumenauense. A gente tem sentido que há uma dificuldade muito grande do uso da bicicleta na nossa cidade, principalmente em relação ao respeito ao ciclista e a segurança deste.

Além disso, vamos continuar seguindo a gestão do presidente anterior, o senhor Eldon Jung, em relação a presença nos conselhos municipais como o Contranblu e o Coplan, mostrando o quanto a atual gestão tem dificultado o desenvolvimento urbano desta cidade.

PC – Blumenau é uma cidade que tem várias ciclovias, mas que levam o nada a lugar nenhum. Há muitas reclamações que não há ligações entre elas. E a última ação da Prefeitura foi fazer faixas nas calçadas, tirando espaço dos pedestres. Como a ABC analisa o trabalho feito até agora e como deve ser planejada as ciclovias na cidade?

Duwe – A ABC Ciclovias, há pouco mais de 10 anos, já construiu um projeto cicloviário para Blumenau. Porém, em algumas rotas, a gente percebe uma dificuldade muito grande na implantação das ciclovias. Você pega, por exemplo, a Sete de Setembro, que é uma via muito usada. A gente é obrigado a aceitar a ideia da ciclofaixa, porque lá não espaço para a bicicleta. Temos um corredor de ônibus, finalmente instalado, e por hora passar com as bikes ali não é uma boa ideia, pois os motoristas andam em alta velocidade.

As calçadas na Sete são extensas, a gente vê as faixas com bons olhos, mas elas estão muito mal sinalizadas. Elas estão em um estado muito ruim e não há regularidade nos trajetos.

PC – Há possibilidade de as bicicletas usarem os corredores exclusivos para ônibus? 

Duwe – Cidades como Amsterdã, Paris e Londres iniciaram o uso das bicicletas nos corredores. Porém, passou-se por um processo de conscientização do cidadão e muito mais dos  motoristas de ônibus. Eles passaram por um curso de capacitação, de direção defensiva. Foi um impacto muito grande na sociedade, pois a pessoas achavam que seria muito perigoso para o ciclista.

Porém, eles diminuíram as velocidades dos ônibus, deram mais regularidade, colocaram mais ônibus para os cidadãos e a partir do momento que o ônibus se aproxima do ciclista, ele sinaliza com outro tipo de campainha. Lá, todo ciclista tem que andar com espelho retrovisor, com sinalização e se ele não cumprir, pode ser multado.

O uso da bicicleta nos corredores é possível, só falta vontade política.

PC – E como vocês veem os acessos aos bairros? Fala-se muito dos projetos de ciclovias na região central. Tem como isso vingar nos bairros também? Tem como isso dar certo numa cidade de morros? 

Duwe – Nos bairros, o uso da bicicleta é maior ainda que no Centro. Nos bairros estão concentrados a maioria das indústrias e o trabalhador que não tem dinheiro para comprar um carro ou vê na bicicleta uma oportunidade para economizar dinheiro acaba usando. As novas vias estão sendo abertas já com ciclovias ou ciclofaixas.

O que acontece. Você pega, por exemplo, a Rua Hermann Lang, bairro Fidélis. Lá, eles instalaram uma ciclofaixa e ela está bem sinalziada, porém, não tiraram um ponto de ônibus do lugar, atrapalhando usuário de ônibus e o ciclista. Há uma falta de articulação com a Celesc, pois os postes de luz poderiam ser desviados.

PC – O blumenauense tem interesse em andar de bicicleta?

Duwe – Sem dúvidas. Na semana passada nós tivemos uma pesquisa, onde 70% dos blumenauenses usariam uma bicicleta e só 3%  realmente usa. O que falta é segurança e conscientização.

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