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O destino do Morro do Arthur

Foto dos anos 80 mostra a Prefeitura "abrindo" o Morro do Arthur

A retirada de famílias do Morro do Arthur, bairro Progresso, foi um dos assuntos mais interessantes da sessão de terça-feira da Câmara de Vereadores. A polêmica gerou uma discussão indireta entre os vereadores Vanderlei de Oliveira (PT) e Marcelo Schrubbe (DEM). No meio da guerra, poucos parlamentares decidiram participar, apenas Marco Wanrowski (PSDB) falou algo útil e diferente…

Morador do Progresso, Vanderlei de Oliveira saiu em defesa dos habitantes do morro. Criticou a forma em que a Prefeitura lida com o caso, e lembrou que o Arthur não pode ser chamada de invasão, pois a Prefeitura ajudou a urbanização do locam em 1988. O petista trouxe imagens do ex-prefeito Renato Vianna no local há 23 anos para mostrar a participação do Executivo.

“Nós temos poucas invasões de verdade em Blumenau. Na maioria dos casos, houve a participação do poder público”, comentou.

Atuando como líder de governo, Schrubbe rebateu as críticas e insinuou que o petista estaria defendendo a permanência dos moradores nas áreas de risco. “Preferia que minha filha ficasse num ginásio do que debaixo do barro, em um deslizamento”, declarou, apoiando as ações da Defesa Civil de Blumenau.

Wanrowski, que não se sabe bem se é governo ou oposição, propôs a criação de um fundo municipal para desastres ambientais. Como só o Executivo pode apresentar projetos do gênero, deixou uma indicação ao Prefeito para criar o tal fundo. A ideia do tucano é que a Prefeitura tenha dinheiro em caixa para as primeiras obras de emergência em caso de catástrofes, sem precisar esperar do Estado ou União.

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OPINIÃO CONTROVERSA

Se a Defesa Civil constatou que uma residência está em uma área de risco CRÍTICA, os moradores devem deixar o mais rápido possível e é DEVER DO PODER PÚBLICO, obriga-los a deixarem suas casas. PONTO FINAL. Ninguém discute mais isso.

Vamos falar sobre o DEPOIS. Para onde vão essas famílias? Abrigo? Ok. Por quanto tempo ficarão lá? O relato feito pela Aeamvi, citada ontem no Controversas, dá conta que a população rejeita os abrigos pois teme ficar lá por um tempo muito maior que o esperado. Imagine você, internauta, morar em um galpão com outras famílias por MAIS DE DOIS ANOS. É o que acontece com muitos blumenauenses vítimas da Catástrofe de 2008.

Schrubbe saiu em defesa da Defesa Civil. CERTO. Eles estão fazendo a sua parte, o seu trabalho. Vanderlei lembrou que o Morro do Arthur teve a complacência da Prefeitura por 23 anos, e que por isso eles têm direito de participar de um projeto habitacional logo. Eles não são invasores. CERTO.

A Prefeitura mapeou as áreas de risco após a tragédia de 2008 e o Morro do Arthur apareceu na lista. Por que essas famílias já não foram retiradas? E as outras áreas de risco onde tem gente morando? Vão esperar mais um temporal para tira-los? Mas para onde vão essas pessoas?

Na região serrana do Rio de Janeiro, o governo desapropriou uma fazenda para construção de casas populares.Isso, logo após o desastre. Em Blumenau, passaram dois anos da tragédia e ainda tem gente morando em abrigos. A Defesa Civil de Blumenau faz a sua parte, com competência. A impressão que fica é que outros setores da Prefeitura não acompanham esse ritmo. Principalmente quando o assunto é habitação.

O direito a moradia é constitucional. E quando a própria Prefeitura é quem abre o loteamento, a população tem todo direito de reclamar.

Produzido em WordPress | Por: Giovanni Ramos