Blumenau por outro ângulo
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11 de abril de 2011

O Sinsepes e a Furb Federal

O presidente do sindicato da Furb, Tulio Vidor, fala sobre o projeto Furb Federal e a posição do Sinsepes sobre a transferência de cursos e alunos para uma nova instituição.

Giovanni Ramos - contato@controversas.com

Foto: Sinsepes

Com a participação da Universidade Federal de Santa Catarina na elaboração do projeto, a proposta de federalização da Furb por meio da criação da Universidade Federal do Vale do Itajaí ganha força. Um dos pontos mais polêmicos desta mudança Furb>UFVI é a situação dos servidores da Furb, que públicos municipais.

O Portal Controversas entrevistou o presidente do Sinsepes (Sindicato dos Servidores Públicos do Ensino Superior de Blumenau) para saber a opinião do funcionários públicos da instituição sobre o assunto.

Portal Controversas: Já existe um grupo de estudos em Brasília tratando da criação de uma Federal em Blumenau. Mas fala-se que a nova instituição poderia adquirir os cursos e os alunos da Furb, em uma estrutura totalmente nova. Qual a posição do sindicato em relação ao tema?

Tulio Vidor: Nõs trabalhos ativamente junto a coordenação do movimento pró-federal da Furb e é muito importante esclarecer para a população, o que está acontecendo. O projeto que tramita em Brasília de maneira alguma inviabiliza aquilo que chamamos de federalização da universidade. O fato de se criar uma Universidade Federal do Vale do Itajaí é perfeitamente conciliável com o que temos na Furb.

Lá, já estão indicados a possibilidade de cedência do espaço físico existente na Furb hoje para que ele possa ser assumido pela Federal. Segundo, que os alunos possam ser transferidos imediatamente da Furb para a nova estrutura. O que falta definir: a questão do servidor público, do professor e do técnico administrativo que está na instituição daqui.

Nós trabalhamos com o mecanismo da cedência, que já tem outras experiências no país, é um mecanismo possível, mas que precisa ser incorporado ao projeto. Como funcionaria: os servidores da Furb continuariam vinculados ao poder público municipal, seríamos cedidos a Federal, como serão os prédios e os alunos. Continuaríamos sendo pago na folha municipal, no entanto, com recursos de Brasília.

A nossa condição seria a chamada “cargo em extinção”. A medida que esses trabalhadores forem se aposentando, ou que novas vagas fossem abertas, os novos concursos são feitos direto pela Federal. A medida que as aposentadorias avancem, os servidores da Furb serão substituídos pelos federais.

Portal Controversas: Uma dúvida quanto ao salários: os vencimentos de um servidor poderão ser diferentes de um servidor da Furb. Não poderíamos ter um conflito de salários diferentes para uma mesma função?

Túlio Vidor: A questão é polêmica e não se restringe a salários. Nós temos planos de carreira completamente diferentes. Com certeza, os novos funcionários vão entrar numa carreira federal e nós, da Furb, continuamos com o nosso servidor.

Vamos ter no primeiro momento uma divisão de categorias. Esse período de tempo, embora seja longo, é uma fase de transição. Nós estamos tornando a nossa universidade municipal em federal. O preço a pagar é essa transitoriedade. Quanto aos valores específicos, um dos grupos de trabalho está vendo isso, comparando as estruturas da Furb como federais do mesmo porte,  e sua eficiência administrativa.

Do ponto de vista trabalhista é permitido e do administrativo, é aceitável. O mais importante é garantir aexistência de uma universidade federal do Vale do Itajaí. Estamos sob a possibilidade de não termos universidade nenhuma em Blumenau, pois as outras instituições de ensino superior da cidade não fazem pesquisa e extensão, não são universidades de fato.

A Furb, sob ponto de vista administrativo, é muito mais custosa por ter pesquisa e extensão. Se a forma de financiamento for a mesma dos centros universitários, a Furb está fadada a talvez não sobreviver.

Portal Controversas: A Furb corre o risco de fechar, já que tem a fonte de receita privada e a despesa pública?

Túlio Vidor: O risco de fechar sempre existe. O caminho que nós apontamos é o financiamento público. É inviável que o Município assuma a universidade. Quem tem capacidade para isso é o MEC e o governo federal. Nós queremos colocar o Vale do Itajaí dentro da política de ensino superior pública do governo.

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