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Depauleios - por Paulo Roberto

"Nunca é só um jogo quando você está ganhando"
paulo@controversas.com

Dia da Mulher é o *#&@)!


Oito de Março, Dia Internacional da Mulher. Beleza, parabéns. Amanhã é dia nove. Passou. Tchau.

Existem diversas formas de se homenagear algo. E, discordem, se quiserem, mas, nem todas são dignas.

O Dia da Mulher é mais um exemplo. Chooooove homem comprando buquê de rosas no começo do dia. Até o final do dia, quem não reservou, comprará qualquer flor – até cravo de defunto – para não chegar em casa com as mãos vazias. Abraçará a esposa/namorada/mãe/filha, entregará o ramalhete, e a vida seguirá como os outros 364 dias do ano: com os homens “acima” das mulheres, no mau sentido*.

Diz a lenda que, em 1800 e pedrinhas, pegou fogo numa fábrica paralisada por uma greve de mulheres, e morreram 130 e poucas. DIZEM. Segundo algumas leituras que fiz (sobretudo pelo NPC), apesar do “acidente” ter acontecido em 1857, o primeiro relato oficial sobre ele só aconteceu num  jornal do Partido Comunista Francês, impresso em 1955, ainda sem citar as mortes, apesar do dia 8 de março ter sido “oficializado” como Dia Internacional da Mulher somente em 1914, numa reunião da Secretaria Internacional da Mulher Socialista, sem motivos oficiais para a escolha deste dia.

A realidade é que o Dia da Mulher acaba sendo mais um dia comercial, sem importância tampouco discussões sobre o assunto. A questão do gênero, infelizmente, ainda é tratada como piada, como algo “natural”. Ainda existe (bastante) gente que acha que a mulher é inferior ao homem e pronto. Por força natural. Ou Divina, quem sabe, mas é. E é porque é, porque sempre foi. E a minha função, aqui no Portal Controversas, venho questionar aquilo que “é porque é” ou “porque sempre foi”.

Que atire a primeira pedra aquele que nunca achou que estava “com o dever cumprido” por ter comprado um buquê de flores, um presente. Tá, um jantar, um vinhozinho, pra ser exagerado. Mas, no dia seguinte, a louça sobrou pra quem?

O fato é que, infelizmente, nós não amamos nossos pais mais no segundo domingo de agosto, nem nossas mães no de maio, tampouco nossas mulheres no dia oito de março! Simplesmente porque são datas figurativas, são datas simbólicas. E devem servir para que nós reflitamos, não para que nos aliviemos de nossos pecados.

Incentivar um Dia da Mulher em que o “certo” é dar um buquê de rosas e perguntar o que tem pra jantar nada mais é do que achar que, nos outros 364 dias, a função da mulher é servir. E, ao mesmo tempo, a mulher que se dá por satisfeita por um miserável presente uma vez por ano reforça o estigma de que tudo está bem, tudo é assim mesmo. Não é!

O “romantismo” pregado pelos filmes, pelas novelas, nada mais é do que MACHISMO! O homem que trata da mulher como uma flor sensível, como um objeto de decoração, como um troféu. Como um ser que não pensa, não tem sentimentos (senão o de amá-lo), não tem anseios, sonhos, vida própria!

E é contra esse machismo, que eu sou contra comemorar o Dia Internacional da Mulher.

Você, mulher, que leu este texto, faça por merecer uma homenagem: comece se julgando IGUAL, tão capaz quanto: não exija flores, exija IGUALDADE! Você, homem, comece avaliando seus conceitos. Senão, verá que o Dia Internacional do Homem, 19 de novembro, é realmente algo inútil! Com igualdade, daqui há algum tempo, poderemos comemorar algo.

 

“No mau sentido” é CONTROVERSO: o bom sentido é aquele, o mau sentido é quando falamos do preconceito. Ou não?


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