Blumenau vista por outro ângulo
Ads

3 de setembro de 2010

Cultura alemã? Pelamor, NÃO!

Giovanni Ramos - contato@controversas.com

Uma das coisas mais comentadas no aniversário de Blumenau é a cultura da cidade. Nossos moradores têm orgulho em dizer que são descendentes de alemães, que o município preserva as suas raízes. Que a nossa cultura é muito rica. Convenhamos, isso é uma piada!

Turismo e cultura estão sendo confundidos nas últimas décadas. Por conta disso, há quem acredite que a cultura blumenauense é chope, aquele traje típico fake criado na Oktoberfest e as músicas que alguns já classificam de “Chucrute Music”. A partir dessa cultura “alemã”, é comum vermos nativos com discursos xenófobos, ofenfendo as tradições de outros povos que ajudaram a formar a cidade.

Eu digo, CULTURA ALEMÃ É O C….

Blumenau vive uma crise cultural porque acha que a sua cultura é aquilo que vendemos na Oktoberfest. Sendo assim, temos um abandono do poder público as verdadeiras manifestações culturais da cidade (com um fundo para o setor com míseros R$ 400 mil por ano) e pouca interação entres os costumes dos povos que habitam por aqui.

Ano passado, a cidade realizou uma conferência de cultura. Várias propostas foram feitas para o setor, quase nenhuma delas aplicadas até agora. A Fundação Cultural virou cabide de emprego político e o maior evento artístico da cidade, o Festival de Teatro da Furb, sofre para continuar existindo.

O que é a cultura blumenauense hoje? Ir aos supermercados fazer compras? Dirigir como loucos no trânsito e pedir por novas lombadas eletrônicas e sinaleiras? Ou entrar na fila às 7h na Policlínica para fluoxetina? Esses elementos combinam mais com a Blumenau 2010….



8 comentários para “Cultura alemã? Pelamor, NÃO!”


  1. J. Prim diz:

    Cultura alemã SIM. Cultura da Oktober é que não.

    A cultura alemã de Blumenau foi a anos esquecida por culpa de racismo e xenofobia de um antigo presidente. Presidente esse que fez com que pessoas de bem fossem torturadas e espancadas, tudo para combater o racismo e a xenofobia nazista. Espera… Não fizeram a mesma coisa torturando e espancando quem fosse alemão?

    Bom, o assunto não é especificamente esse, mas com toda certeza foram essas atitudes que fizeram o povo blumenauense esquecer da sua cultura, do seu idioma colono e até dos seus costumes familiares “não-abrasileirados”. Mesmo com forte pressão, mesmo sem utilizar oficialmente o idioma alemão e mesmo sem poder promover a sua cultura, o povo blumenauense continuou a manter seu porte. Continuou sendo um povo ordeiro e organizado, disposto e lutador. A maior prova disso foram os diversos problemas que a cidade passou, reerguendo-se com pouca ou quase nenhuma ajuda dos governos – e não falo das rixas políticas entre governadores e prefeitos ou com “peixes maiores”, me refiro aos problemas que empresários e investidores passam devido a algumas dessas rixas. Assim como no caso das várias enchentes que a cidade passou, onde as empresas sozinhas tinham que recuperar o prejuízo – assim como a cidade, que “recebia verbas” não devidamente repassadas.

    De qualquer modo, a luta sempre foi uma característica germânica, e sempre seguirá de geração em geração, até que não haja mais sangue para escorrer de nossas veias. Então o povo que já não conhecia mais sua cultura, a mantinha adormecida no sangue, precisando somente de um “lembrete”. Obviamente, por motivos “comerciais”, esse lembrete foi dado de forma errada. Esse “lembrete cultural” veio somente em forma da cultura festiva, ou seja, do hábito de achar que comer Sauerkraut, beber Bier e cantar repetitivamente meia dúzia deutche Musik é cultivar a cultura germânica.

    E a cada dia se mistura mais cultura com baderna. Dizem que a Oktoberfest veio para resgatar a cultura alemã da cidade. Depois dizem que a nossa Oktober é baseada na Oktober de München. Bulhufas, duas vezes bulhufas! Se for assim, estão fazendo errado duas vezes, pois a colonização de Blumenau não tem origem especificamente bávara, e a Oktoberfest de Blumenau não foi criada pra homenagear nenhum casal de nobres após uma corrida de cavalos. Mas isso não acontece somente em Blumenau, já que a própria Festa Pomerana – que obviamente ocorre em Pomerode – não possui NADA de pomerana. Em praticamente todas as “festas culturais” que dizem elevar a cultura germânica vemos somente a forma mais caricaturizada dos costumes bávaros, com as mesmas meia dúzias de músicas repetitivas e os mesmos Lederhosen feitos de lycra (hahaha). Esse revival “germânico” resumiu Blumenau também como “a cidade do enxaimel errado”, ou “a cidade fake”, uma vez que nem mesmo um estilo de construção simples foi culturalmente preservado, mas que serviu pra ajudar na ideia de caricatura – se acham que estou falando besteira, vejam como é realmente o estilo das construções mais antigas de Blumenau e se é parecido com uma casinha de tijolinho cimentado dentro de algumas madeiras cruzadas e pregadas.

    O povo blumenauense precisa se dedicar sim à cultura, mas não a isso que vemos. Hoje, se algum morador dessa cidade quiser fazer um curso de alemão “avançado” precisa se preparar pra desenbolsar uma boa grana pra aulas particulares ou pra estudar fora do país, pois não existem nem mesmo pessoas suficientes pra fechar turmas, nem mesmo nas escolas mais famosas da cidade. O blumenauense precisa assistir filmes alemães, ouvir músicas alemãs (não só os “Jetzt geht los” da vida). Assim como também precisa não só conhecer, mas aceitar a cultura do vizinho que provavelmente poderá não ser alemão – mas claro que não misturando tudo, como fazem enfiando Bonecos de Olinda na Oktoberfest.

    Enquanto isso, Blumenau sofre as consequências. A cidade é vendida pela imagem alemã, o que encanta os próprios alemães. Mas essa impressão é derrubada quando os investidores não encontram nem mesmo pessoas que falem alemão na cidade, ao menos não pessoas capacitadas a nível internacional – o Encontro Brasil-Alemanha que o diga. Se parte do dinheiro destinado à todas essas caricaturas fosse transferido para algum projeto de revitalização da verdadeira cultura germânica a história poderia ser um pouco diferente.

    O problema está na cultura alemã ou na caricatura da mesma?



Comente aqui