Blumenau vista por outro ângulo
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7 de outubro de 2009

Encare a realidade: a RBS é contra você!

Paulo Roberto - paulo@controversas.com

Começo avisando que o título desse post não vale se você tiver o sobrenome “Sirotzky”, ocupar cargo de primeiro escalão no poder público em qualquer esfera que pague publicidade em Santa Catarina ou no Rio Grande do Sul, ou pertencer a alguma classe patronal. Tirando esses 0,3% da população envolvida pelos produtos da RBS, você não faz parte do público que seja de interesse da empresa.

Pela segunda vez, vejo ataques diretos do Jornal de Santa Catarina ao movimento grevista bancário ( http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,185,2676982,13272 ). Tenho plena certeza de que não foram os únicos no último ano, e não seriam poucos os exemplos do mesmo tratamento com outros setores que reivindicam qualquer causa contrária ao interesse dos três grupos citados no parágrafo anterior. Mas, será que o fato do Santa criminalizar os bancários em Campanha Salarial teria algo a ver com o fato dos bancos torrarem gastarem milhões de reais todos os meses em publicidade em todos os veículos do grupo RBS? Quem sabe… faria sentido, não?

Que os bancos sacaneiam lucram em cima da desgraça da população, não é nenhuma novidade. Tarifas, juros cobrados bem acima dos que pagam ao Tesouro Nacional, diversas formas de se acumular dinheiro (algumas vezes até sem ferir o Código de Defesa do Consumidor, acredite!). Com isso, já não seria uma tarefa fácil defender o setor bancário nacional, um dos únicos do planeta que, mesmo passando pela maior crise financeira desde 1939, acumulou um aumento na lucratividade em relação à 2008, quando a economia já estava numa “bolha”, ou seja, bem acima do que o mercado “suportava”.

A tarefa de “limpar o nome” desses estabelecimentos passa por um canal chamado DINHEIRO. Compra-se espaços para anúncios milionários em todo e qualquer veículo de comunicação de massa, para divulgar a própria marca, ou qualquer um dos seus produtos. E, essas transações sempre passam indiretamente pela mesa do editor da redação. Como falar mal de um grande anunciante? Como denunciar uma má fé de quem sustenta o veículo?

O editorial de hoje do veículo usa a ampliação da greve dos bancários às agências dos bairros da cidade para, mais uma vez, minar o movimento e jogar a população contra uma reivindicação legítima, organizada e cumpridora de todos os requisitos legais. A realidade é que a greve só aumenta porque aumenta a indignação de toda uma categoria de trabalhadores, visto que o setor mais lucrativo da economia nacional simplesmente se nega a apresentar uma proposta após quase três meses de negociação. Mas, isso, a RBS não comenta.

O fato da RBS deter o oligopólio da comunicação catarinense faz com que essa tarefa se torne ainda mais fácil: só precisa comprar UM. É uma única negociação. Uma única voz. Uma única versão repetida mil vezes, até se tornar verdade. O editorial de hoje fala que a “decisão das lideranças” de ampliar a greve é contra o interesse da população. É óbvio que os usuários das agências dos bairros terão suas vidas afetadas. Mas, a decisão de se fazer greve não é de nenhuma liderança, e sim de uma Assembléia Geral dos trabalhadores, na qual estão presentes todos os interessados, e votam pelos rumos da Campanha Salarial. Nessa Assembléia, o voto de um recém-contratado bancário de banco privado de uma cidade do interior vale o mesmo que o do presidente do Sindicato: UM VOTO.

No ano passado, o mesmo espaço, no mesmo jornal, tentava descredenciar o movimento grevista, alegando que o mesmo era inconsequente por usar um método primitivo e rude, ao invés de estabelecer a conversa e a negociação. Dizia, nas entrelinhas, que os grevistas (e todos os bancários) eram meros revoltados, que decidiram jogar merda  no ventilador parar de trabalhar sem medir consequências. É a opinião do veículo, é a opinião do grupo RBS. Não tenho o direito de querer que seja diferente. Mas, tenho o direito de manifestar a MINHA opinião, que é contrária ao fato do poder financeiro sobrepor os reais interesses de 99,7% da população.

Hoje, é com os bancários. Se você é trabalhador do setor têxtil, de transporte coletivo, dos Correios, do INSS, da Polícia Civil, ou de qualquer entidade civil organizada que “ousa” enfrentar o poder econômico, entendeu bem este post. Porque também já foi marginalizado por esse oligopólio. Fortalecer o Grupo RBS, seja assinando/comprando um jornal ou dando audiência a uma emissora de rádio ou televisão deles é concordar com isso. Comprar os produtos do Grupo que explora a escravidão (ver 10 posts abaixo) é fazer com que tenham ainda mais poder, e que se vendam por um preço ainda maior a quem interessar posar de mocinho.



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