Encare a realidade: a RBS é contra você!
Paulo Roberto - paulo@controversas.comComeço avisando que o tÃtulo desse post não vale se você tiver o sobrenome “Sirotzky”, ocupar cargo de primeiro escalão no poder público em qualquer esfera que pague publicidade em Santa Catarina ou no Rio Grande do Sul, ou pertencer a alguma classe patronal. Tirando esses 0,3% da população envolvida pelos produtos da RBS, você não faz parte do público que seja de interesse da empresa.
Pela segunda vez, vejo ataques diretos do Jornal de Santa Catarina ao movimento grevista bancário ( http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,185,2676982,13272 ). Tenho plena certeza de que não foram os únicos no último ano, e não seriam poucos os exemplos do mesmo tratamento com outros setores que reivindicam qualquer causa contrária ao interesse dos três grupos citados no parágrafo anterior. Mas, será que o fato do Santa criminalizar os bancários em Campanha Salarial teria algo a ver com o fato dos bancos torrarem gastarem milhões de reais todos os meses em publicidade em todos os veÃculos do grupo RBS? Quem sabe… faria sentido, não?
Que os bancos sacaneiam lucram em cima da desgraça da população, não é nenhuma novidade. Tarifas, juros cobrados bem acima dos que pagam ao Tesouro Nacional, diversas formas de se acumular dinheiro (algumas vezes até sem ferir o Código de Defesa do Consumidor, acredite!). Com isso, já não seria uma tarefa fácil defender o setor bancário nacional, um dos únicos do planeta que, mesmo passando pela maior crise financeira desde 1939, acumulou um aumento na lucratividade em relação à 2008, quando a economia já estava numa “bolha”, ou seja, bem acima do que o mercado “suportava”.
A tarefa de “limpar o nome” desses estabelecimentos passa por um canal chamado DINHEIRO. Compra-se espaços para anúncios milionários em todo e qualquer veÃculo de comunicação de massa, para divulgar a própria marca, ou qualquer um dos seus produtos. E, essas transações sempre passam indiretamente pela mesa do editor da redação. Como falar mal de um grande anunciante? Como denunciar uma má fé de quem sustenta o veÃculo?
O editorial de hoje do veÃculo usa a ampliação da greve dos bancários à s agências dos bairros da cidade para, mais uma vez, minar o movimento e jogar a população contra uma reivindicação legÃtima, organizada e cumpridora de todos os requisitos legais. A realidade é que a greve só aumenta porque aumenta a indignação de toda uma categoria de trabalhadores, visto que o setor mais lucrativo da economia nacional simplesmente se nega a apresentar uma proposta após quase três meses de negociação. Mas, isso, a RBS não comenta.
O fato da RBS deter o oligopólio da comunicação catarinense faz com que essa tarefa se torne ainda mais fácil: só precisa comprar UM. É uma única negociação. Uma única voz. Uma única versão repetida mil vezes, até se tornar verdade. O editorial de hoje fala que a “decisão das lideranças” de ampliar a greve é contra o interesse da população. É óbvio que os usuários das agências dos bairros terão suas vidas afetadas. Mas, a decisão de se fazer greve não é de nenhuma liderança, e sim de uma Assembléia Geral dos trabalhadores, na qual estão presentes todos os interessados, e votam pelos rumos da Campanha Salarial. Nessa Assembléia, o voto de um recém-contratado bancário de banco privado de uma cidade do interior vale o mesmo que o do presidente do Sindicato: UM VOTO.
No ano passado, o mesmo espaço, no mesmo jornal, tentava descredenciar o movimento grevista, alegando que o mesmo era inconsequente por usar um método primitivo e rude, ao invés de estabelecer a conversa e a negociação. Dizia, nas entrelinhas, que os grevistas (e todos os bancários) eram meros revoltados, que decidiram jogar merda no ventilador parar de trabalhar sem medir consequências. É a opinião do veÃculo, é a opinião do grupo RBS. Não tenho o direito de querer que seja diferente. Mas, tenho o direito de manifestar a MINHA opinião, que é contrária ao fato do poder financeiro sobrepor os reais interesses de 99,7% da população.
Hoje, é com os bancários. Se você é trabalhador do setor têxtil, de transporte coletivo, dos Correios, do INSS, da PolÃcia Civil, ou de qualquer entidade civil organizada que “ousa” enfrentar o poder econômico, entendeu bem este post. Porque também já foi marginalizado por esse oligopólio. Fortalecer o Grupo RBS, seja assinando/comprando um jornal ou dando audiência a uma emissora de rádio ou televisão deles é concordar com isso. Comprar os produtos do Grupo que explora a escravidão (ver 10 posts abaixo) é fazer com que tenham ainda mais poder, e que se vendam por um preço ainda maior a quem interessar posar de mocinho.






Dá nojo desse monopólio da comunicação em SC e RS. Está aà a prova de que a RBS faz a mesma coisa nos estados do RS e SC o que a Globo faz com todo Brasil.
Ainda bem, conforme postou na primeira linha, não sou nenhum “Sirotzky”. Mas com todas as letras faço questão de abominar o nome RBS, pelo fato desse grupo manipular, monopolizar a comunicação no RS e, especialmente em Santa Catarina. Particularmente, para mim, é como se não existisse, por isso dou preferência maior à concorrência que sabe respeitar o seu público-consumidor. Fora RBS!!!
Câncer dos profissionais e de toda a população de Santa Catarina, essa é a RBS.
Indignação eu tive quando fui levar minha mãe aposentada pra retirar o mÃsero salário dela e fomos barrados na porta da Caixa,por pessoas que se julgam donas da razão,sem o mÃnimo respeito a qualquer pessoa,de qualquer idade,de qualquer classe social.Bom,ao menos nesse ponto não fazem referência… Não querer trabalhar,reinvidicar o que é seu,ou o que julga justo,é direito de cada cidadão.Agora,fazer barricadas,impedir acessos a um caixa eletrônico de pessoas que passaram a vida trabalhando a espera de uma aposentadoria medÃocre,por favor,aonde há honra nisso?
A propósito,meu sobrenome não é Sirotzky,e partilho a opinião da maioria quanto a monopolização da informação em nosso estado.Tenho a esperança que esse tipo de atitude não consiga atingir a internet,hoje ainda meio livre pra trocarmos nossas idéias e informações sem “filtros”…
Cara, tu tem de ler o Jornal Metas. Ainda bem que aquela praga tem menos influência que a RBS, mas o que falaram dos motoristas de ônibus em greve não tá no gibi! E o mesmo discursinho patronal: prejuÃzo à população. Esquecem de falar pra onde vai todo o imposto que pagamos – o tal do superávit, cujos “bons” números a Fátima costuma informar em 10 segundos no JN, com um sorriso no rosto, feliz.
A situação tá preta, meu velho. A própria população perdeu completamente a noção de coletividade e classe e se perdeu nesse pesadelo de consumismo e competitividade. Tenho esperança de que, de algum jeito, um dia a humanidade ganhará consciência. Mas é preciso lutar contra o fatalismo!
O monopólio da RBS é sim prejudicial para a formação de opinião do povo catarinense. Muitas pautas são escolhidas com total parcialidade, assim como o texto dos editoriais. É óbvio que ninguém quer perder os grandes patrocinadores, e eu não tiro a razão da RBS nesse aspecto. O problema é que eles ‘jogam pra galera’ ao invés de se posicionar. É muito fácil passar a informação nas entrelinhas, mas não é coreto com o leitor.
Porém, repudio tanto o fator “monopólio das comunicações” quanto bloqueio do acesso aos caixas eletrônicos. Penso que é uma atitude abusiva, mesmo que avisada com antecedência. Tudo bem não abrirem os guichês para atender o público pessoalmente, mas prejudicar o cidadão que precisa retirar seu dinheiro é um grande absurdo. Por essa atitude, a greve dos bancários perde toda a credibilidade. A reinvindicação é justa, mas os atos são exagerados. Quem tem que sentir no bolso é o sistema bancário, não o cidadão honesto.
Por isso: pau neles, RBS! Mas com opinião aberta e sem rabo-preso! Tô pedindo demais?
Sou contra boicotar os produtos RBS pelo mesmo motivo que sou contra boicotar os serviços dos bancos. Se há erros na relação entre banqueiros e bancários, é um problema deles. E é preciso estar atento também aos problemas da relação entre donos de jornais e jornalistas. Não haveria monopólio da informação se fossem tomadas medidas pra melhorar essa relação. Com ou sem greve, defendo a luta por boas condições de trabalho dentro dos bancos e dentro dos jornais, e não o boicote nem em uma esfera nem em outra. São duas propostas distantes demais da realidade. A comunidade só tem a ganhar se os jornalistas pensarem mais no trabalho deles. Falar da greve dos outros é fácil.
É por isso que mesmo em plena crise, os bancos brasileiros foram os que mais lucraram no mundo.
1) Sirotski é com s.
2) Xingar a RBS é coisa do século passado.
Quem mandou comentar post do ano passado!