Blumenau por outro ângulo
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21 de agosto de 2010

A ruptura do PV em Blumenau

Membro do PV há 14 anos, Ivan Naatz foi quem fez com que o partido fosse conhecido na cidade, assumindo as lutas contra o Consórcio Siga e contra o processo de Concessão do Esgoto. Agora arruma uma briga um tanto quanto infantil e deixa o partido, em busca de mais visibilidade. À sombra do ex-homem de frente, os jovens verdes começam a querer mostrar as caras.

Fábio Ricardo - fabio@controversas.com

Imprensa local cerca Marina Silva. Pouca mobilização popular, entretanto. (foto: Fábio Ricardo)

Em Blumenau, nanico não tem vez. Nem lembro mais quem é que pronunciou essa frase, há umas duas eleições, referindo-se à preferência dos blumenauenses pelos grandes partidos como PT, PMDB, PSDB e DEM. Eu sempre fui contra este argumento, lembrando que existe um nanico blumenauense que pode virar o jogo e cair no gosto popular: Ivan Naatz.

Membro do PV há 14 anos, Ivan Naatz foi quem fez com que o partido fosse conhecido na cidade, assumindo as lutas contra o Consórcio Siga e contra o processo de Concessão do Esgoto. Tentou ser prefeito, quis ser candidato a Deputado Estadual, e nada deu certo. Agora arruma uma briga um tanto quanto infantil e deixa o partido, em busca de mais visibilidade.

Até onde sei – e não tenho nenhuma ligação com o partido para confirmar minhas especulações, deixo claro – a briga de Naatz com o PV se deu com a ordem de que todos os Estados brasileiros deveriam lançar candidatos ao Governo do Estado, para assim fortalecer a candidatura de Marina Silva. A ideia faz todo o sentido, se formos parar para pensar. Acontece que com a candidatura de Rogério Novaes a governador, os candidatos a deputado estadual e federal não teriam sequer chance de serem eleitos. Tudo graças à complicada soma de votos para câmara e assembléia.

Ivan Naatz deixa o PV de Blumenau. (foto: Reprodução TVL)

Resumo da ópera: Naatz, o único nome forte do PV blumenauense, brigou com o restante da turma e resolveu apoiar Dilma e a família Amin. O PV ficou sem um homem de frente e Naatz ficou com o estigma de traidor, soltando farpas contra o ex-partido apenas alguns dias depois de anunciar sua saída. Ao menos é assim que muitos membros do partido pensam.

Com a vinda de Marina Silva a Blumenau na manhã deste sábado, impossível não notar que algo está errado na estruturação do PV por aqui. Muitos membros do partido do litoral e do Alto Vale cercavam a presidenciável, mas a parte blumenauense estava tímida, num canto. A ruptura dentro do partido é clara, e é um sinal óbvio de que uma grande mudança vem aí.

Com a saída do político mais experiente, o espaço fica aberto para os jovens verdes, que devem aparecer com mais força nas próximas eleições para vereador. No pouco tempo que estive na Rua XV para cobrir a chegada de Marina à cidade, pude reparar na presença em massa da juventude, e – mais do que isso – na empolgação dos jovens verdes com a nova política apresentada pelo PV.

Se vai render resultados nas urnas, não sei. Mas que um novo PV começa a nascer com a saída de Naatz, isso não tenho dúvidas.

Marina Silva no traço do artista Costa de Souza, de Blumenau. (foto: reprodução)

Santinhos ao pé da letra

No meio da confusão toda, quem resolveu apoiar Marina Silva foram os DEMos Jovino e Ismael. Não, eles não substituíram o Naatz no PV. Simplesmente decidiram pedir votos para Marina ao invés de Serra, pelo fato dela ser ligada à Igreja.

Acho muito estranha essa comparação de pesos entre Igreja e partido político. Se nem eles, que são candidatos do DEM, vão apoiar o Serra, que tem um vice do DEM… sei não, acho estranho. Se querem falar de religião, deixem as urnas fora disso. Melhor não misturar as coisas.



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