O jeito feminino de governar

Foto: Alberto Neves

Ana Paula e Angela Albino fazem parte da Bancada Feminina da Alesc.

Hoje é celebrado o Dia Internacional da Mulher e as homenagens a elas estão em toda parte. Minha coluna, da mesma forma, não poderia ser diferente: irei falar sobre elas. Sobre elas na política.

O Brasil tem uma mulher como presidente. Presidenta, tem o orgulho de enfatizar. Isto é sim, por si só, um grande fato político para as mulheres. Elas receberam a permissão para poderem votar há apenas 80 anos, e já tem uma mulher não apenas votando, mas no mais alto cargo da política nacional.

Mas minhas divagações vão além desse poder da mulher na política, minhas divagações se perdem no estilo das mulheres que temos na política. Desde que Roseana Sarney foi pré-candidata até agora, com Dilma no poder, as pessoas parece que estavam votando nas mulheres com um pé atrás. Se observarmos bem o “estilo” destas mulheres, o povo votava em mulheres que aparentam ter o jeito masculino de governar. Já ouvi apelidos como “Dilmão”, “General Dilma”, e outros apelidos que masculinizam a presidenta num estereótipo “mulher macho sim senhor”.

Dilma é uma mulher de pulso firme e fala tão firme quanto. Este jeito masculinizado de governar o Brasil sempre me colocou uma pulga atrás da orelha: por que o brasileiro não vota numa mulher com estilo de mulher, jeito de mulher, sorriso de mulher?

Longe de mim querer estigmatizar como uma mulher deve ou não agir/vestir/se portar. Cada mulher tem seu jeito próprio de se manifestar. Mas acredito que o que torna as mulheres melhores que nós, homens, é justamente a capacidade elevada ao raciocínio emocional. Elas não agem apenas com a emoção, mas também não se fixam na razão imutável dos governantes masculinos. As mulheres conseguem enxergar as mesmas coisas que os homens, mas com um olhar multifacetado de mãe.

Mesmo assim, insistimos em apenas colocar no poder as mulheres que governam de forma mais parecida com os homens, talvez por medo, talvez por preconceito. Felizmente, vejo essa realidade mudando em nosso Estado.

Para citar apenas dois exemplos bem próximos de nós, temos, em duas das principais cidades de nosso Estado, mulheres querendo ocupar a cadeira de prefeita. Blumenau vê a deputada estadual Ana Paula Lima, do PT, muito bem colocada nas pesquisas e lutando para ser a primeira mulher a comandar a cidade. Florianópolis também tem uma mulher crescendo para o cargo de líder, com a também deputada estadual Angela Albino, do PC do B.

Tanto Ana quanto Angela são mulheres que não escondem seu lado feminino. Elas têm orgulho de mostrar que as mulheres estão vivas na política, e que podem governar de um jeito só delas. Não são mulheres-generais, mas também não são mulheres-objeto. São mulheres, em toda a simplicidade e complexidade que a palavra permite expressar.

Elas são mães, são avós. Caminham sorrindo e brilham entre os homens. Você pode imaginá-las facilmente preparando o almoço de domingo com a casa cheia, passeando no parque e ao mesmo tempo discutindo sobre política com os convidados. E mudando o mundo. As mulheres unem o lado feminino ao lado masculino, estão um passo à frente com uma sensibilidade que é só delas.

Se você ainda lembrava das mulheres na política apenas pela mão firme da Dilma, ou pelo bumbum durinho da Analice Nicolau (lembram? Foi candidata a vereadora em Blumenau), preparem-se pois elas chegaram de vez na política, e sem precisar copiar o jeito masculino de governar.

Elas tem um jeito só delas.

Produzido em WordPress | Por: Giovanni Ramos