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	<title>Portal Controversas &#187; Mídia</title>
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	<description>Blumenau vista por outro ângulo</description>
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		<title>O poder permanente de derrubar governos</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 23:24:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação Portal Controversas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[governo Dilma]]></category>
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		<description><![CDATA[O Portal Controversas publica o artigo da jornalista Maria Inês Nassif, sobre a série de queda de ministros do governo Dilma e sua relação com os grandes veículos de comunicação]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><strong>POR MARIA INÊS NASSIF</strong></em><br />
<em><strong>Jornalista</strong></em></p>
<p>A corrupção do sistema político merece uma reflexão para além das manchetes dos jornais tradicionais. Em especial neste momento que o país vive, quando a nova democracia completou 26 anos e a política, que é a sua base de representação, se desgasta perante a opinião pública. Este é o exato momento em que os valores democráticos devem prevalecer sobre todas as discordâncias partidárias, pois chegou no limite de uma escolha: ou diagnostica e aperfeiçoa o sistema político, ou verá sucumbi-lo perante o descrédito dos cidadãos.</p>
<p>O país pós-redemocratização passou por um governo que foi um fracasso no combate à inflação, um primeiro presidente eleito pelo voto direto pós-ditadura apeado do poder por denúncias de corrupção, dois governos tucanos que, com uma política antiinflacionária exitosa, conseguiram colocar o país no trilho do neoliberalismo que já havia grassado o mundo, e por fim dois governos do PT, um partido de difícil assimilação por parcela da população. Nesse período, a mídia incorporou como poder próprio o julgamento e o sentenciamento moral, numa magnitude tal que vai contra qualquer bom senso.</p>
<p>Este é um assunto difícil porque pode ser facilmente interpretado como uma defesa da corrupção, e não é. Ou como questionamento à liberdade de imprensa, e está longe disso. O que se deve colocar na mesa, para discussão, é até onde vai legitimidade da mídia tradicional brasileira para exercer uma função fiscalizadora que invade áreas que não lhes são próprias. Existe um limite tênue entre o exercício da liberdade de imprensa na fiscalização da política e a usurpação do poder de outras instituições da República.</p>
<p>Outra questão que preocupa muito é que a discussão emocional, fulanizada, mantida pelos jornais e revistas também como um recurso de marketing, têm como maior saldo manter o sistema político tal como é. É impossível uma discussão mais profunda nesses termos: a escandalização da política e a demonização de políticos trata-os como intrinsicamente corruptos, como pessoas de baixa moral que procuram na atividade política uma forma de enriquecimento privado. Ninguém se pergunta como os partidos sobrevivem mantidos por dinheiro privado e que tipo de concessão têm que fazer ao sistema.</p>
<p>Desde Antonio Gramsci, o pensador comunista italiano que morreu na masmorra de Mussolini, a expressão “nenhuma informação é inocente” tem pontuado os estudos sobre o papel da imprensa na formulação de sensos comuns que ganham a hegemonia na sociedade. Gramsci já usava o termo “jornalismo marrom” para designar os surtos de pânico promovidos pela mídia, de forma a ganhar a guerra da opinião pública pelo medo.</p>
<p>No Brasil atual, duas grandes crises de pânico foram alimentadas pela mídia tradicional brasileira no passado recente. Em 2002, nas eleições em que o PT seria vitorioso contra o candidato do governo FHC, a mídia claramente mediou a pressão dos mercados financeiros contra o candidato favorito, Luiz Inácio Lula da Silva. Tratava-se, no início, de fixar como senso comum a referência “ou José Serra [o candidato tucano] ou o caos”.</p>
<p>Depois, a meta era obrigar Lula e o PT ao recuo programático, garantindo assim a abertura do mercado financeiro, recém-completada, para os capitais internacionais. Em 2005, na época do chamado “mensalão”, o discurso do caos foi redirecionado para a corrupção. Politicamente, era uma chance fantástica para a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a única alternativa para se contrapor a um líder carismático em popularidade crescente era tirar de seu partido, o PT, a bandeira da moralidade. A ofensiva da imprensa, nesse caso, não foi apenas mediadora de interesses. A mídia não apenas mediava, mas pautava a oposição e era pautada por ela, num processo de retroalimentação em que ela própria [a mídia] passou a suprir a fragilidade dos partidos oposicionistas. Ao longo desse período, tornou-se uma referência de poder político, paralelo ao instituído pelo voto.</p>
<p>Eleita Dilma Rousseff, a oposição institucional declinou mais ainda, num país que historicamente voto e poder caminham juntos, e ao que tudo indica a mídia assumiu com mais vigor não apenas o papel de poder político, mas de bancada paralela. Dilma está se tornando uma máquina de demitir ministros. Nas primeiras demissões, a ofensiva da mídia deu a ela um pretexto para se livrar de aliados incômodos, nas complicadas negociações a que o Poder Executivo se vê obrigado em governos de coalizão num sistema partidário como o brasileiro. Caiu, todavia, numa armadilha: ao ceder ministros, está reforçando o poder paralelo da mídia; em vez de virar refém de partidos políticos que, de fato, têm deficiências orgânicas sérias, tornou-se refém da própria mídia.</p>
<p>As ondas de pânico criadas em torno de casos de corrupção, desde Collor, têm servido mais a desqualificar a política do que propriamente moralizar a nossa democracia. Mais uma vez, volto à frase de Gramsci: não existe notícia inocente. O Brasil saído da ditadura já trazia, como herança, um sistema político com problemas que remontam à Colônia. O compadrio, o mandonismo e o coronelismo são a expressão clássica do que hoje se conhece por nepotismo, privatização da máquina pública e falha separação entre o público e o privado. A política tem sido constituída sobre essas bases e, depois de cada momento autoritário e a cada período de redemocratização no país, seus problemas se desnudam, soluções paliativas são dadas e a cultura fica. Por que fica? Porque é a fonte de poderes – poderes privados que podem se sobrepor ao poder público legitimamente constituído.</p>
<p>O sistema político é mantido por interesses privados, e é de interesse de gregos e troianos que assim permaneça. Segundo levantamento feito pela Comissão Especial da Câmara que analisa a reforma política, cerca de 360 deputados, em 513, foram eleitos porque fizeram as mais caras campanhas eleitorais de seus Estados. Com dinheiro privado. Em sã consciência, com quem eles têm compromissos? Eles apenas tiveram acesso aos instrumentos midiáticos e de marketing político cada vez mais sofisticados porque foram financiados pelo poder econômico. É o interesse privado quem define se o dinheiro doado aos candidatos e partidos é lícito ou ilícito.</p>
<p>O dinheiro do caixa dois passou a fazer parte desse sistema. Não existe nenhum partido, hoje, que consiga se financiar privadamente – como define a legislação brasileira – sem se envolver com o dinheiro das empresas; e são remotíssimas as chances de um político financiado pelo poder privado escapar de um caixa dois, porque normalmente é o caixa dois das empresas que está disponível. Num sistema eleitoral onde o dinheiro privado, lícito e ilícito, é o principal financiador das eleições, ocorre a primeira captura do sistema político pelo poder privado. E isso não acaba mais.</p>
<p>Esse é o âmago de nosso sistema político. A democratização trouxe coisas fantásticas para a política brasileira, como o voto do analfabeto, a ampla liberdade de organização partidária e a garantia do voto. Mas falhou no aperfeiçoamento de um sistema que obrigatoriamente teria de ser revisto, no momento em que o poder do voto foi restabelecido pela Constituição de 1988.</p>
<p>Num sistema como esse, por qualquer lado que se mexa é possível desenrolar histórias da promiscuidade entre o poder público e o dinheiro privado. Por que isso não entra, pelo menos, em discussão? Acredito que a situação permaneça porque, ao fim e ao cabo, ela mantém o poder político sob o permanente poder de chantagem privado. De um lado, os financiadores de campanhas se apoderam de parcela de poder. De outro, um sistema imperfeito torna facilmente capturável o poder do voto também por aparelhos privados de ideologia, como a mídia. Como nenhuma notícia é inocente, a própria pauta leva a relações particulares entre políticos e o poder econômico, ou entre a máquina pública e o partido político. A guerra permanente entre um governo eleito que tem a oposição de uma mídia dominante é alimentada pelo sistema.</p>
<p>O apoderamento da imprensa é ainda maior. Se, de um lado, a pauta expressa seu imenso poder sobre a política brasileira, ela não cumpre o papel de apontar soluções para o problema. Não existe intenção de melhorá-lo, de atacar as verdadeiras causas da corrupção. Apesar da imensa caça às bruxas movida pela mídia contra os governos, em nenhum momento essa sucessão de escândalos, reais ou não, incluíram seriamente a opinião pública num debate sobre a razão pela qual um sistema inteiro é apropriado pelo poder privado, inclusive e principalmente porque não se questiona o direito de apropriação do poder público pelo poder privado. A mídia tradicional não fez um debate sério sobre financiamento de campanha; não dá a importância devida à lei do colarinho branco; colocou a CPMF, que poderia ser um importante instrumento contra o dinheiro ilícito que inclusive financia campanhas eleitorais, no rol da campanha contra uma pretensa carga insuportável de impostos que o brasileiro paga.</p>
<p>Pode fazer isso por superficialidade no trato das informações, por falta de entendimento das causas da corrupção – mas qualquer boa intenção que porventura exista é anulada pelo fato de que é este o sistema que permite à imprensa capturar, para ela, parte do poder de instituições democráticas devidamente constituídas para isso.</p>
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		<title>Por uma mídia mais popular e solidária</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jun 2011 03:04:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação Portal Controversas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Magali Moser]]></category>
		<category><![CDATA[sindicatos]]></category>

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		<description><![CDATA[Em referência ao livro "A Ditadura da Mídia", de Altamiro Borges, a jornalista Magali Moser discute o papel dos jornais sindicais na sociedade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><em>POR MAGALI MOSER* </em></strong></p>
<p>A mídia hegemônica atravessa um período de contradições e paradoxos. O cenário foi muito bem definido pelo jornalista Altamiro Borges no livro A Ditadura da Mídia: “Se por um lado, nunca foi tão poderosa, em decorrência dos avanços tecnológicos nos ramos das comunicações e das telecomunicações, do intenso processo de concentração e monopolização do setor nas últimas décadas e da criminosa desregulamentação do mercado que a deixou livre de qualquer controle público (…) Por outro lado, ela nunca esteve tão vulnerável e sofreu tantos questionamentos da sociedade. No mundo todo, cresce a resistência ao poder manipulador da mídia”</p>
<p>Num país onde menos de dez famílias controlam a quase totalidade da mídia, essa discussão se torna ainda mais importante. Apesar de a Constituição Brasileira proibir que políticos sejam concessionários de emissoras de rádio e TV, todos sabem a farra que é a prática no país. Empresas abertas em nomes de laranjas são frequentemente usadas por especuladores, igrejas e políticos como aponta o levantamento do Donos da Mídia, que monitora as propriedades dos veículos de comunicação por todo o Brasil. Segundo a pesquisa, no país, 271 políticos são sócios ou diretores de 324 veículos de comunicação. Entre os detentores diretos ou indiretos de concessões estão José Sarney, Antonio Carlos Valadares, Mão Santa, Jayme Campos, Jorge Bornhausen, Roseana Sarney e Tasso Jereissati.</p>
<p>Uma sociedade verdadeiramente democrática requer o cumprimento dos direitos humanos, a diversidade de opiniões e escolhas, a cidadania, que passa obrigatoriamente por uma mídia mais popular e solidária. Estudiosos como Borges indicam que o Brasil é o país da América Latina que menos passos deu rumo à democratização da informação. Com o tema “Para além do nosso umbigo: os desafios da imprensa sindical”, o 3º Seminário de Imprensa Sindical, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Serviço Público Federal em Santa Catarina (Sindprevs), em abril, em Florianópolis, lançou luz sobre a necessidade de se avançar numa comunicação popular. Diante disso, os sindicatos precisam se unir a fim de lançar um jornal com pauta unificada. Esta é a constatação do coordenador no Núcleo Piratininga de Comunicação, Vito Giannotti, que abriu a primeira palestra do seminário. Ele falou sobre “Por que nossa comunicação deve superar os limites do nosso umbigo?” e defendeu a necessidade de um jornal diário, comprometido com os trabalhadores e capaz de fazer frente aos grandes jornalões.</p>
<p>Como instrumentos seculares de organização social, os sindicato têm um papel fundamental diante desse contexto. No entanto, o potencial exercido por esses instrumentos está aquém das possibilidades, como constata Vito. Com a experiência de quem ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e escreveu mais de 20 livros relacionados à luta dos trabalhadores e à imprensa sindical, ele chega a uma avassaladora conclusão: “90% dos jornais sindicais não servem pra nada. Os jornais sindicais não servem para nada no sentido de lutar por outra sociedade, mais solidária. A maioria está limitada às preocupações de reeleger a diretoria para a próxima gestão” – afirma Vito.</p>
<p>Na avaliação do pesquisador, em geral, a pauta dos jornais sindicais se restringe às questões do “próprio umbigo”, como ele define. A tragédia inicial na comunicação sindical é que os principais leitores dos jornais sindicais são trabalhadores cujo único interesse é saber se houve reposição salarial. A preocupação que prevalece é com o próprio bolso, com o próprio umbigo.  Como superar isso? Além de abordar questões referentes a benefícios e aumento salarial da categoria, um jornal sindical precisa oferecer educação, cultura, saúde, salário mínimo, questões mundiais, Cuba, Egito…,</p>
<p>Os meios de comunicação de massa são instrumentos essenciais do mundo contemporânea ao estabelecerem parâmetros por meio dos quais as pessoas leem e interpretam o mundo. A informação precisa informar e qualificar já que a comunicação é um estímulo para a organização dos trabalhadores. Bush não teria invadido o Iraque se não houvesse um consenso mundial, através da mídia hegemônica. A lógica que orienta a mídia comercial coloca interesses empresariais e metas de lucros acima de tudo, ignorando os valores fundamentais da convivência humana. O jornalismo sindical pode, sim, fazer contraposição à <em>Veja,</em> à <em>Folha,</em> à <em>Rede Globo</em>, e a todos os grandes grupos. O jornalismo preso aos interesses empresariais tende a negligenciar grupos sociais periféricos e temas isolados. O jornalismo comprometido com a coletividade permite uma compreensão ampliada não só dos grupos marginalizados, mas de toda a sociedade. Ignorar o papel da mídia na construção contra-hegemônica é fechar os olhos para o potencial transformador dos meios de comunicação.</p>
<p>&#8212;-</p>
<p>* A autora é jornalista, assessora de imprensa do Sintrafite</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O Estupro e a Emissora</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 02:04:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Roberto - paulo@controversas.com</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A democratização da comunicação passa por problemas "'técnicos", como o deste caso catarinense. Censura ou responsabilidade? A quem interessa que seja e que não seja noticiado? Que tal começarmos a mudar isso?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Demorei para comentar o caso, e acho que, assim, consegui expressar melhor minhas impressões. Estou falando do famoso caso em que três adolescentes estupraram (ou são acusados de&#8230;) uma adolescente, em Florianópolis.</p>
<div id="attachment_2569" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://controversas.com/wp-content/uploads/2010/07/censura01.jpg"><img class="size-medium wp-image-2569" title="censura01" src="http://controversas.com/wp-content/uploads/2010/07/censura01-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">Esconder crimes de menores de idade: responsabilidade ou censura?</p></div>
<p>Não é necessário manifestar-se contra o estupro. Tampouco é humano aceitar qualquer desculpa que questione a índole da garota, muito menos para tentar justificar tal fato. O foco desta coluna é sobre a transmissão, sobre a cobertura (no bom sentido) do episódio pela mídia catarinense.</p>
<p>Simplesmente apedrejar o Grupo que pertence ao pai de um dos acusados é uma atitude, acima de tudo, baixa. Associar o nome da empresa ao caso de estupro não condiz com a realidade, para ser gentil. Além do pivete não trabalhar na empresa, não representar a vontade/opinião da empresa, não se pode considerar que todo o Grupo seja a favor de tal atitude.</p>
<p>Óbvio que o fato não foi prontamente noticiado. Não foi por &#8220;n&#8221; motivos. Não interessava à diretoria da emissora? A emissora não noticia casos de violência contra menores? Pouco importa. O fato é que, sobretudo a partir do momento em que uma emissora concorrente &#8220;comprou o caso&#8221; e exibiu-o no noticiário nacional, as vozes contrárias ao Grupo se tornaram verdadeiros simples apedrejadores.</p>
<p>O melhor exemplo é o blog Tijoladas do Mosquito, do blogueiro Amilton Alexandre (www.tijoladasdomosquito.com.br ) é um bom exemplo disso. Eu o considerava uma boa fonte alternativa de notícias, até ele se perder nesta briga. Cego por atingir a imagem do Grupo, acabou por tornar-se cansativo e enfadonho. Conseguiu a proeza de tentar botar num mesmo saco o menor, o Grupo, os profissionais das empresas do grupo, e os anunciantes destas empresas. Passou dos limites.</p>
<p>Sou um lutador pela democratização da mídia. Mas, democratizar a mídia não quer dizer que o Grupo RBS fará reuniões públicas de pauta, que decidirão o que será publicado pelos seus veículos, e sob qual enfoque isso acontecerá. Como qualquer empresa privada, o Grupo tem autonomia para escolher os seus caminhos. Neste ponto, abraço-me a um argumento liberal: o mercado deve regular. Não há mercado? É outro papo.</p>
<p>O fato é que, hoje, mesmo diante de um oligopólio do grupo gaúcho na mídia catarinense, não há uma alternativa viável. E isso ocorre simplesmente por mesquinhez e falta de organização dos concorrentes. Criticar a forma como a RBS aborda (ou não) determinado assunto é fácil, é cômodo. Organizar-se é difícil. Abrir mão de picuinhas na briga pelo segundo (terceiro, às vezes quarto) lugar na disputa, é mais difícil ainda.</p>
<p>A democratização da comunicação passa, obrigatoriamente, pela questão das concessões públicas de rádio e televisão. O próprio grupo RBS (e seus concorrentes também) utilizam-se desta zona de conforto, conquistada através de tramóias políticas e/ou financeiras, para garantir o seu espaço. No dia em que qualquer cidadão puder estabelecer sua emissora para todo o público, haverá liberdade de opinião. Antes disso, não.</p>
<p>Com liberdade para a competição entre versões, a população acabará decidindo o que quer seguir, em qual versão quer acreditar. O sistema de concessões só faz com que a multiplicidade de vozes seja calada em nome de interesses comuns e promíscuos. Apesar de soar utópico e idealista demais, o exemplo da cobertura deste caso prova o meu argumento. Alguém acreditou na versão noticiada pelos veículos da RBS sobre o caso dos adolescentes? Alguém acreditará em algum ponto a ser divulgado sobre o mesmo caso? Não! Porque ficou óbvio que eles têm interesse no assunto.</p>
<p>Esse é o fenômeno da múltiplas vozes e versões. A essência do jornalismo, da mídia e da comunicação social, ao meu ver. É fácil? Não. Mas, será mais difícil se não pararmos para pensar. Aceitar o problema é o primeiro passo para corrigí-lo. Aceitemos o primeiro passo. Mudemos.</p>
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		<title>Na dúvida, duvide!</title>
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		<pubDate>Tue, 11 May 2010 11:40:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Roberto - paulo@controversas.com</dc:creator>
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		<description><![CDATA["Onde houver a fé, que eu leve a dúvida!" Falcão]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignright" style="width: 348px"><img title="Dúvida" src="http://img683.imageshack.us/img683/9550/duvida2e.jpg" alt="" width="338" height="419" /><p class="wp-caption-text">Juro: fiquei na dúvida sobre a imagem pra ilustrar o texto!</p></div>
<p>Posts iniciais geralmente são chatos. Introdutórios, contextualizadores. Prometem mundos e fundos, parecem campanha eleitoral. Eu sou mais um que não gosta deles. Sobretudo porque depois de um bom post inicial, a responsabilidade aumenta, e a chance de acabar desgostando dos textos seguintes é enorme. De qualquer jeito, arriscarei.</p>
<p>Desde que me entendo por gente, minha mãe reclama que eu não a obedecia. Não por ser uma criança mimada, prepotente, ou mesmo que fizesse pura birra. Mas, eu não entendia como explicações as frases &#8220;porque sim&#8221;, &#8220;porque eu mandei&#8221; e outras tantas que todos nós (nascidos até meados da década de 1980) cansamos de ouvir quando pequenos. Eu sempre entendi isso como uma fuga do real motivo. Sempre duvidei. Sempre quis ouvir a versão final, aquela que explicasse.</p>
<p>Quis o mundo &#8211; na verdade, fui eu &#8211; que eu eu crescesse questionando o que havia ao meu redor. Descobri sozinho que o Papai Noel era uma mentira. Não chorei, fiquei PUTO com os meus pais por terem mentido pra mim. Tudo porque um dia, entre uma e outra brincadeira, sentei e pensei com meus botões que seria impossível ele visitar tanta gente numa noite só. Comentei inocentemente com a minha mãe, e ela confessou ser mentira. Levei alguns dias pra superar o trauma, provavelmente descobrindo outras mentiras (&#8220;inocentes&#8221;) que me cercavam.</p>
<p>Na faculdade de Jornalismo, alguns (bons) professores que ensinavam mais fora da sala de aula do que dentro me mostraram que não existem coincidências na nossa profissão. Um texto nunca tem X caracteres só porque acabou saindo desse jeito. Uma matéria nunca &#8220;esquece&#8221; de alguém, e sim OMITE. Um veículo de imprensa não &#8220;se confunde&#8221;, e sim confunde o seu público.</p>
<p>O que vemos hoje em nossa sociedade é uma alarmante crise de identidade. Vemos os veículos de comunicação pautando nossos cidadãos, e não o contrário. Discutir o BBB é mais importante do que gostar ou não dele (ops, adiantei o tema da minha próxima coluna!). Somos apedrejados se não soubermos quem é bandido e quem é mocinho. Ao menos 5x por semana, ouço alguém me falar que &#8220;Maria e João&#8221; fizeram tal coisa e, ao dizer que não os conheço, descubro-os personagens de novela!</p>
<p>Ao mesmo tempo, a perigosa sucessão de inversões entre ficção e realidade nos deixa perturbados. Mais gente chora as mortes nas novelas do que as chacinas em nossas cidades. Mais gente fica emocionada com a final do Ídolos do que com a carnificina que vemos no trânsito de todo o país, matando e mutilando milhares de inocentes (outros nem tanto) diariamente.</p>
<p>Este será um espaço diferente. Não concorrerá com outras colunas, nem outros colunistas. Porque não quero ser como, nem melhor que eles. Quero ser diferente. Sigo a proposta do Controversas, que nunca se pautou por se opor a outro meio de comunicação, e sim por ser um complemento de TODOS ELES.</p>
<p>Desde outubro de 2007, o Controversas traduzia as mesmas manchetes em outras palavras. Quando fui convidado pelo Giovanni Ramos para fazer parte da equipe, no ano passado, aceitei de pronto o desafio. Porque sabia que o papel deste veículo seria complementar, sugerir, palpitar, perguntar, inquietar. Cutucar, até ter uma versão melhor, uma versão que explique, que faça-se entender. Pra repetir os discursos das Assessorias, já temos os órgãos oficiais.</p>
<p>É importante cada um de nós, consumidores dos produtos de mídia, cumprir a nossa obrigação: QUESTIONAR. Não são as certezas que movem o mundo, e sim as dúvidas. Encerro utilizando-me do argumento de Bill Maher, no documentário <em>Religulous</em>: o mundo está cheio de locais/websites que oferecem as certezas, as verdades. Mas, se o que você quer é rever os seus conceitos e criar novas dúvidas, está no lugar certo: este é o novo <strong>Portal Controversas!</strong></p>
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